2006/10/10

A treta do “lápis como extensão do cérebro"



Sempre que falo com um arquitecto da velha guarda (mais de 40) sobre o BIM, surge o argumento do “lápis como extensão do cérebro”.

De acordo com esta teoria, o arquitecto utiliza o lápis (e em menor medida as maquetas físicas) na busca das soluções, e através deste processo de linha sobre linha, por vezes de um modo intencional outras por acaso, a Arquitectura emerge.

Este método permite (alegadamente) que o subconsciente criativo integre todos os dados relevantes ao problema e, livre do lado racional do cérebro (esqueço-me se é o esquerdo ou o direito), criar Arte.

O argumento acima descrito é utilizado para justificar as limitações do computador, como ferramenta de design, dado que a sua precisão absoluta não deixa margem para o acaso e o subconsciente.

Perdoem-me dizê-lo assim, mas esta teoria soa a treta.

Que os arquitectos defendam este método como sendo o único possível para eles serem criativos, tudo bem. Cada louco suas manias, e se alguém acredita que a sua criatividade depende em andar descalço, ouvir Bach ou comer uma sandes de atum, problema dele.

Mas afirmar categoricamente que projectar de lápis na mão é a melhor maneira de o fazer, isso carece de provas.

Tanto quanto eu saiba, não há provas científicas neurológicas ou comportamentais que indiquem que uma parte do física ou processual do cérebro tenha aptidão para o uso do lápis.

Ainda para mais quando se trata de criar espaços tridimensionais, logo menos aptos a ser representados bidimensionalmente.

È claro para mim que uma ideia arquitectónica é tridimensional, e é processada pelo cérebro (e não pela mão, coração ou alma). O lápis é utilizado para “dar forma” a esta ideia, ajudando o arquitecto a focar a atenção nas questões relevantes em cada instante.

Mas este lápis, com todas as imprecisões e limitações de um instrumento manual de representação bidimensional, não é de todo uma ferramenta adequada para expressar uma ideia tridimensional.

Tem sido nos últimos 500 anos, à falta de melhor.

Consigo imaginar que, se fosse tão fácil moldar maquetas físicas como é esquiçar, essas maquetas seriam usadas desde o primeiro instante do projecto, uma vez que se aproximam muito mais da ideia arquitectónica que se desenvolve no cérebro. E se fosse possível retirar toda a documentação técnica dessas maquetas (plantas, cortes, alçados, mapas), então nem sería necessário desenhar.

Por estas razões parece-me óbvio que o modelo virtual substitui o lápis com enormes vantagens. Permite-nos explorar alternativas em tempo real, é rigoroso, fornece dados quantitativos (custos) e qualitativos (perspectivas rigorosas) que nos facilitam nas decisões de design.

Evidentemente, se um arquitecto não é capaz de utilizar estas ferramentas informáticas, será melhor limitar-se ao lápis. O que não pode é afirmar categoricamente que o faz por ser a melhor maneira de projectar. Se for honesto, dirá que opta pelo lápis por preguiça ou incapacidade.

Todo este assunto seria inconsequente se cada arquitecto pudesse desenvolver a sua própria metodologia de projecto, escolhendo a que melhor se adapta às suas características pessoais.

Os “arquitectos analógicos” continuariam a projectar com o lápis (apoiados por um batalhão de desenhadores, claro), e os “arquitectos digitais” utilizariam as novas tecnologias de um modo eficaz, adaptado ás necessidades actuais.

Infelizmente temos o ensino.

Em Portugal, a maior parte dos cursos de arquitectura ensinam métodos de projecto próprios do século XIX, gastando milhares de horas a desenhar à mão, num ritual cego que só tem paralelo com as outras milhares de horas que os alunos do primeiro ciclo gastam a escrever à mão.

Isto acontece simplesmente porque os professores ensinam o mesmo que aprenderam, perpetuando métodos caducos e obsoletos.

Numa nota pessoal: Se pensarmos que o lápis representa um espada, e o CAD/BIM uma pistola automática, podemos especular por que razão os arquitectos mais “experientes” preferem ensinar apenas as técnicas de luta com espada, onde eles são exímios.

É que, mais cedo ou mais tarde, irão ter que entrar em “duelo” profissional com os seus antigos alunos, e a escolha das armas irá determinar o resultado...

20 comentários:

Krippmeister disse...

E muita sorte tens tu se não te obrigarem a dar uma cadeira do tipo "Técnicas de esquiço em guardanapos de papel 3" ou "Iniciação à conceptualização arquitectónica por manipulação de puré de batata durante o almoço" ou alguma dessas coisas profundamente creativas que não obrigam ninguém a aprender a fazer duplo clic num rato...

Miguel Krippahl disse...

As cadeiras que estou a leccionar agora, com o nome de CAD, chamavam-se anteriormente "Técnicas de Representação Técnica e Fotogrametria".
Por vezes a realidade é mais estranha do que a ficção...

Krippmeister disse...

Se o aluno conseguir dizer o nome da cadeira três vezes seguidas sem se enganar, passa automáticamente.

Miguel Krippahl disse...

Por essa lógica chumbavam todos...

Rafael Fernandes disse...

Até que enfim, encontro "eco" àquilo que venho sentindo e venho dizendo desde os anos 90 aos meus ilustres colegas (qual profecia!), quando descobri, por curiosidade, a tecnologia a "SIG" (GIS) e fiz a sua extrapolação para a minha feliz (ou infeliz) realidade de arquitecto.

Estamos perante um percurso natural de Arquitectura. De Mestres de Obra (Archi Tekton) passamos a mestres de atelier's, dominando o mundo dos traços, tentando recriar (apenas no nosso imaginário de arquitecto), aquilo que designamos de mãe de todas as artes, a arte maior, a "arquintontura". Os pintores e os escultores, em abono da verdade, nunca nos viram com bons olhos, mas isso fica para outras núpcias ...

Com o evoluir da tecnologia, passamos do traço em papel, para o traço "mágico" dos vector dos sistemas CAD. Ainda me lembro de estudos comparativos entre o "desenho à mão" e o "desenho do computador", lista de vantagens e desvantagens, tipo "prós e contras" ... hei-de recuperar esses textos, hoje autênticas relíquias.

A evolução que nos espera (dos BIM's), será bem mais radical do que a transição do estirador para o computador. Acredito que ainda estamos apenas no início de um processo.

Espero que essa evolução nos sirva para clarificar de uma vez por todas, a enorme indisciplina e falta de profissionalismo que tem reinado no exercício da nossa profissão, cujas consequências só mais tarde poderemos avaliar, tanto para a classe (esmagada) dos arquitectos, como para o próprio território, em última instância, para o próprio país, mergulhado nos "sistemas".

Bem, voltando aos BIM's, com essa mudança de metodologia de projecto que se avizinha, ao arquitecto será exigido, maior rigor, maior definição, maior responsabilização, mais "interoperabilidade" com as outras especialidades que intervêm no processo construtivo, maior conhecimento da funcionalidade e operabilidade das coisa.

Por outras palavras, ao Arquitecto, será exigido e será reconhecido o seu real papel, e a sua real importância (ao longo dos últimos tempos, COMPLETAMENTE IGNORADOS!), no mundo da construção, dominado pelos empreiteiros, construtores, engenheiros, etc. Aquela ideia do arquitecto, um ser estranho, esquesito, de outro mundo, sim, aquele que é enrolado nas obras com os "erros e omissões", como as "mais valias" e outros quejandos, por falta de rigor e definição de projecto, ... essa ideia tem de desaparecer.

Doravante com os BIM's, O arquitecto, quando inquirido "quanto é que vai ficar a construção?", já não pode remeter para o engenheiro, para o construtor ou para o medidor orçamentista! É-lhe exigido competência e celeridade nas respostas e nas decisões!

O Arquitecto, vai ter que dizer aos engenheiros, quer de estruturas, quer de Avac ou de electricidade: "Não meus amigos, os vossos pilares, as vossas vigas, as vossas escadas, as vossas lajes, as vossas condutas, as vossas couretes, os vossos cabos e os vossos negativos, etc, não podem ser como querem fazer, ... se quiserem, podem usar este ou aquele espaço", mostrando-os como realmente podem ser compatibilizados os diferentes projectos, com instrumentos de apoio à decisão, e esses instrumentos são os BIM's.

... prometo que vou seguindo a evolução/actualização do blog ...

até sempre "camaradas" (não sou comuna, mas esta é uma expressão que gosto muito)

Miguel Krippahl disse...

Camarada Rafael

Em primeiro lugar, bem vindo a este blog.

Espero que deixe sempre aqui a sua opinião, mesmo que (especialmente se) não concordar comigo.

Do seu comentário, apenas gostaria de acrescentar o seguinte:

Conhecendo os arquitectos como eu os conheço, especialmente os portugueses, dificilmente irão estes aderir, em massa, ao BIM.

Como tal, estarão a abrir o campo a outras profissões, como já o fizeram no passado.

Esta situação preocupa-me. Embora me tranquilise que cada vez terei menos concorrência à altura, também sei que o arquitecto foi, é e será um elemento insubstituível no processo de fabrico de obras construídas e, como tal, a sua substituição por outros profissionais menos "artísticos" irá provocar, inevitávelmente, o empobrecimento da qualidade de vida das pessoas em geral.

Rafael Fernandes disse...

Miguel, acredita q as coisas estão a mudar ... já começa a haver uma maior aceitação à nova tecnologia e paulatinamente os arquitectos portugueses (e não só!) vão começar a migrar para as novas plataformas.

Eles sabem que já não interessa só as imagens manipuladoras, muito bonitinhas e perfeitas em termos fotorealísticos, que eu costumo chamar generosamente de "enrola-tansos". Sabemos perfeitamente bem, as marivilhas e as magias das edições photo-shop, corel, etc ...

Profissionais "à séria", querem muito mais do que vender essas imagens e aí é que a porca torce o rabo.

Em boa verdade, essa migração para os BIM não aconteceu antes, porque as primeiras versões dos paramétricos e dos motores dos softwares BIM até aqui eram um bocadinho arcáiscos, para ser simpático.

Hoje já temos coisas fantásticas por aí, e cada vez mais. Estão cada vez mais "amigáveis" para os utilizadores.

Modelar hoje em dia num paramétrico , modelamos com o grau de complexidade de um "jogo" (sim, de um "game"!) ... num mundo virtual e cheio de de virtualidades espeteculares (desculpem a redundância), onde tudo pode acontecer ...

Um desses dias partilho as minhas aventuras e conto um bocadinho da minha história por essas andanças ...

kiká disse...

Viva mrBIM,

Foi com alguma relutância que acabei de ler o seu comentário sobre o tema em questão, “A TRETA do lápis como extensão do cérebro”, melhor …li e reli e a sensação manteve-se!

Surgem-me de imediato algumas questões que me parecem deveras pertinentes, tais como:
. Será que entendeu o significado do titulo do seu post?
. Será que o BIM vai dominar o mundo?
. Será que no método BIM não surgem ‘de modo intencional outras por acaso’ certas linhas de onde a ‘ Arquitectura emerge’?
. Será, mesmo, que o Arquitecto Digital ultrapassa o Arquitecto Desenhador (mão+lápis), só pelo o uso da sua arma?, (re) lembrando eu, que cada um tem a sua!
. ‘… os professores ensinam o mesmo que aprenderam…’, ou melhor, como o srArq domina o BIM, ensina-o, não é?... será que não se sente melhor nesta área do que no esquiço?...

Entendendo eu, o lápis como extensão do cérebro, como uma metáfora utilizada para definir uma ininterrupta ideia, que após surgir é depositada no papel, sem qualquer interferência, penso, que esta situação já não é tão linear quando entra um computador pelo meio.
Parece-me, que com umas teclas pelo meio aquando do processo artístico, essa ideia possa já não chegar tão despojada de interferências, já que outro sistema entrou em contacto com a mesma, adquirindo valores que este possa querer transmitir.
Nas suas palavras parece-me que estamos a entrar na Guerra dos 100 anos, uma vez que, sempre existirão dois lados, que lutarão … mas nesta talvez não teremos um único vencedor! Cada um com a sua arma vai gladiar-se e, como espectador atento, terá o consumidor que vai decidir por uma arquitectura, com mais ou menos qualidade.
A escolha recairá sobre uma arquitectura manual, atenta a todos os pormenores, chegando a escolher o parafuso de 12mm em detrimento do de 16mm ou sobre a arquitectura de imagem, em série, industrializada e standartizada?
A escolha será….

A velha guarda … com menos de 40 anos!

Miguel Krippahl disse...

Caro/a kika

Não contesto, de todo, a sua opinião.

Um método de ensino/projecto que tem sido utilizado, com sucesso, nos últimos 500 anos terá concerteza imensas virtudes.

Os novos métodos propostos, com a integração da informática no fabrico de projectos e respectivo ensino, terão imensos problemas.

No entanto, os pontos que eu pretendo salientar para já são apenas três:

1- Só pelo facto de ser um método testado e universalmente adoptado nos últimos 500 anos não faz do método "lápis como extensão do cérebro" uma verdade absoluta. Eu não presumo ser detentor dessa verdade, apenas questiono algo que se tornou, à força de uso, dogmático na nossa profissão.

2 - A realidade não se molda aos nossos desejos, apenas a percepção da mesma. O querermos ou não que a arquitectura se mantenha no seu processo conceptual arredada da informática não irá, em última análise, alterar o resultado. Se os arquitectos não se adaptarem, outras profissões o farão. Relembro que foram os mesmos arquitectos como profissão que substituiram os mestres de obra, por deterem conhecimentos técnicos que estavam vedados aos últimos. Não vejo razão para isso não acontecer outra vez, sendo que desta poderão ser os arquitectos a perderem lugar no ecossistema da construção civil, por incapacidade de lidar com os novos conhecimentos técnicos.

3- A mudança, a acontecer, será abrupta. Aquilo que apelida de guerra dos cem anos será eventualmente de dez, ou menos. Se há algo que ninguém questiona hoje em dia é que os computadores, onde se instalam, mudam radicalmente e do dia para a noite os processos de produção. E são exclusivistas. Veja-se a índústria automóvel, só para dar um exemplo. Temos portanto uma mudança que poderá ocorrer na próxima década, ditada pelo mercado de trabalho (quer queiramos quer não, é a economia que dita as regras).


Quanto ao seu post, gostaria apenas de fazer alguns reparos:

"Será que entendeu o significado do titulo do seu post?" Sim. O título é provocatório, caso contrário ninguém se daria ao trabalho de ler o post.

"Será que o BIM vai dominar o mundo?" Será que não vai? E, mais importante, será que nos podemos dar ao luxo de estar desatentos?

"Será, mesmo, que o Arquitecto Digital ultrapassa o Arquitecto Desenhador (mão+lápis)" Depende do conceito "ultrapassa". Se entender por ultrapassar a qualidade intrinseca da arquitectura, enquanto arte, a resposta é não. O computador, assim como o lápis, não representa nenhuma mais valia para o lado artístico da equação. É apenas uma ferramenta. Se, por outro lado, entender por ultrapassar a qualidade da prestação do serviço como um todo, pelo rigor, rapidez, preço, competitividade,acesso ao mercado, então o arquitecto digital leva uma enorme vantagem.
A mecanização e automação dos processos de fabrico determinam sempre um aumento de competitividade. O arquitecto produz projectos, mas precisa de alguém que os construa: o cliente. Este irá preferir, na esmagadora maioria das situações, um serviço mais rápido, mais rigoroso e mais barato. Repito: Não estou a falar daquilo que gostaria que fosse a realidade, estou a falar da realidade em si.

"… os professores ensinam o mesmo que aprenderam…’, ou melhor, como o srArq domina o BIM, ensina-o, não é?... será que não se sente melhor nesta área do que no esquiço?..." Eu adoro desenhar, e adoro esquiçar. Aliás, no meu caso, até nem é possível afirmar que uso os computadores extensivamente por dificuldade em desenhar, como poderei comprovar fácilmente. Mas a questão não se coloca, mais uma vez, nesses termos: O que eu gostaria que fosse, mas sim o que É.

"Parece-me, que com umas teclas pelo meio aquando do processo artístico, essa ideia possa já não chegar tão despojada de interferências, já que outro sistema entrou em contacto com a mesma, adquirindo valores que este possa querer transmitir." Dois pontos: Em que é que as teclas são diferentes do lápis, como intermediários entre a ideia e a solução? Ambos são exógenos, requerem longos anos de treino, e introduzem ruído na equação. Por outro lado, as teclas são apenas uma das interfaces homem/máquina, e nem sequer a melhor para este efeito. Eu, por exemplo, não uso rato nem teclado.

"A escolha recairá sobre uma arquitectura manual, atenta a todos os pormenores, chegando a escolher o parafuso de 12mm em detrimento do de 16mm ou sobre a arquitectura de imagem, em série, industrializada e standartizada?"

Com todo o respeito, esta afirmação denota uma profunda ignorância sobre a questão.

O BIM não é, de todo, imagem.
Esta confusão explica a sua relutância em aceitar a integração do computador no processo de fabrico do projecto.

Embora, seja dito em abono da verdade, a imagem sempre foi usada para vender a ideia arquitectónica.

Quanto à pormenorização, o BIm é sem dúvida superior ao lápis.

Quanto à standartização e industrialização: Foram estas que permitiram calçar, vestir, alimentar, educar, medicar, transportar e divertir o mundo industrialiado ,e não apenas as elites endinheiradas. Como tal, não vejo que seja intrínsecamente má.

Se a opção se resume a uma arquitectura de génio para alguns ou uma arquitectura competente para todos, a minha opção é clara. A guerra está ganha...

Patricia disse...

Bem... se é que haverá uma guerra, eu já escolhi meu campo de batalha tem um bom tempo: não consigo imaginar minha vida sem bytes! Em pensar que hoje eu ouvi o seguinte comentário diante do contentamento proporcionado por um dos adiantos de vida da era digital: por quê que o ser humano reluta tanto prá se adaptar às novas tecnologias?? No mínimo um arquitecto "artesanal" - que é no meu ver aquele que ainda se vê rodeado de papel vegetal, canetas à nankin e régua T (será que ainda existe tal ser!!!???) - que ainda tivesse que redesenhar aquelas mudanças de última hora em todas as secções e vistas, ou até renumerar desenhos, não se daria ao luxo de responder posts como o Miguel. Ou até responderia, mas deixaria de fazer as mudanças no projecto. E isso, com certeza, não faria do projecto dele, um producto de melhor qualidade.

MrDi disse...

O carvão.. mais que um vicio uma necessidade, uma arma instintiva apreendida, não ensinada.. sentida introspectiva libertadora. Com a velocidade de dois piscar de olhos a ideia passa a imagem, vista, ajustada, testada.. negada.. Começar de novo testar testar testar, negar, vezes sem conta. Encontrar a solução torna-se num momento de incerteza, mas de clareza projectual, efémera certamente mas não assim tão longe da possível realidade. É então que como muitos dos animais que por esse mundo resistem, usamos as ferramentas que á nossa disposição foram postas para facilitar o nosso trabalho TÉCNICO, que vieram substituir o que se bem me lembro serem as canetas de tinta da china e as laminas de barbear estas que decerto vieram substituir outras técnicas ancestrais de representação. Mas mesmo esses da tinta da china, por terem á disposição réguas, esquadros, e canetas que já não eram assim tão errantes, não abandonaram o esquiço, recomeçando a faze-lo com régua e esquadro..! Com a chegada dos computadores houve decerto evolução no mercado da Arquitectura, claramente houve importantes avanços na técnica do arquitecto mas o Archicad assim como o autocad não passam de ferramenta técnicas de desenho assistido por computador, que não serve para mais do que para testar, ajustar, medir, certificar, plotar; e vá para ir imprimindo para esquiçar com escala. Assim parece-me que substituindo a caneta de tinta da china, os lápis de cor, as aguarelas,... não passam das ferramentas que o arquitecto actual tem á sua disposição para representar a ideia que teve, trabalhou, negou, retomou, experimentou, voltou a experimentar, recuou, encontrou, amadureceu. Sim porque “ se alguém acredita que a sua criatividade depende em andar descalço, ouvir Bach ou comer uma sandes de atum ” [Miguel Krippahl], eu também gostava de ter esse dom, mas infelizmente só através do esquiço e do trabalho projectual exaustivo consigo ter a certeza que embora não finalmente esgotado esta pelo menos trabalhado ao máximo, coisa que não faria aos comandos de qualquer BIM pois mais ajuste menos ajuste ia sucumbir á primeira ideia, aquela verde, imatura, primeira.. deixando. me corromper por qualquer uma axonometria unicamente vista no dia em que alugamos o helicóptero, renderizada com uns materiais coloridos e brilhantes daqueles que enchem mesmo o olho.

Diz o povo que pior que o que não vê é aquele que não quer ver.

Julgo que quem vencerá esta guerra é aquele que com a mesma destreza domina todas as “ armas ” que tem á sua disposição! Quem esquiçar uma ideia, a passar a desenho técnico usando o cad, ajustando-a, a renderizar num max, viz, artlantis, e as montar num photo quaquer coisa ou num qualquer coisa shop obtém um trabalho que decerto se bate de igual para igual com alguns trabalhos que começamos a ver surgir, principalmente além fronteiras.

Só a titulo de curiosidade nos dias correntes os projectos de arquitectura são publicamente apresentados usando unicamente como suporte renders, as velhas e antiquadas plantas e cortes não são necessárias, cairam em desuso vá, e ai daqueles que não acompanharem os tempos... **Porque não há esquiços ou plantas no site da Universidade Católica Portuguesa - Pólo de Viseu? E vá lá que há maquetes. Se conhecessem o Zé!

Dominando Autocad [2d + 3d] + Archicad + 3dMax + Photoshop + Paintshop +..., não frequentando o polo de Viseu da UCP, do alto dos meus 28 anos sinto. m seguramente jovial a opinar..

..alivio..

cara patricia..

as melhores canetas são indubitavelmente as ‘Pilote’ experimente e depois verá..

regards::.

Miguel Krippahl disse...

Caro kika/Mr Di

Eu penso que as nossas respectivas opiniões estão bem formuladas e fundamentadas, e serão ambas equivalentemente válidas.

No entanto, gostaria de chamar a atenção para o seguinte:

1- A concepção arquitectónica via esquiço/maquete de trabalho não me é estranha. Foi assim que aprendi a trabalhar, foi assim que trabalhei durante mais de uma década. Quando me descreve o processo, sei exactamente daquilo que fala.

2- A concepção arquitectónica via computador é-lhe totalmente estranha. Pelos seus comentários, é fácil deduzir que não faz a mínima ideia do que se trata. Não se preocupe, que seguramente mais de 90% dos projectistas estão na sua situação.

3- É, no meu entender, muito difícil formular opiniões sobre aquilo que não conhecemos, ainda para mais quando existem preconceitos poderosos.

4- Porque este blog se pretende didático, cá vão duas ou três desmistificações:

a) O BIM não implica uma sedimentação precoce das ideias, por via da precisão. Podemos ser tão precisos ou imprecisos como desejarmos.

b) O BIM não necessita de um periodo de aprendizagem maior que o lápis.

c) Se há alguma metodologia que dá primazia ao desenho sobre o design, será seguramente o lápis. O BIM foca o trabalho na concepção, deixando para as máquinas a automatização dos desenhos.

d) Os renderings não corrompem mais do que os esquiços. Estes últimos chegam a atingir proporções fetichistas na nossa profissão.

e) As plantas, cortes e alçados são representações técnicas com elevado grau de abstracção. O seu valor arquitectónico é nulo.

Se bem que a nossa opinião não irá mudar um milímetro o resultado desta mudança de paradigma na arquitectura, a nossa desatenção ou ignorãncia poderá ditar a extinção de uma profissão: a nossa.

Porque numa coisa estamos de acordo: "Diz o povo que pior que o que não vê é aquele que não quer ver."

MrDi disse...

Caro projectista

Embora agradecendo desde já a enumeração, que tornou a minha assimilação informativa deveras facilitada, julgo ter-se perdido, deixando esquecidos alguns pontos acerca das actuais técnicas de representação assistidas por computador assim como outras mais ancestrais. Fico agradado quando percebo rasgos de abertura à aceitação da coexistência ideológica, validado opiniões que percorrem outros caminhos que não os seus. Mas, quando nos dedicamos à dedução corremos sérios riscos de encontrar soluções fragilmente apoiadas, sem substancia comprovativa, ou então demasiadamente óbvias. Claro está que a concepção arquitectónica via computador me causa completa estranheza, é aliás precisamente essa a ideia que pretendo transmitir aos presados visitantes do seu espaço virtual. Ainda assim e porque sempre tento manter a abrangência conceptual parece-me que ainda não encontrei a descrição processual da utilização BIMiana na concepção arquitectónica, não compreendendo assim a abordagem aos tão poderosos preconceitos. Descrição essa que a bem de uma quase completa classe que se encontra em situação de cegueira parcial deveria ser disponibilizada publicamente, colaborando como ser humano, para o atraso de uma previsível extinção profissional.

Durante o meu percurso académico, não melhor ou pior que qualquer outro, percebi que durante o processo de concepção, mesmo após encontrar a solução que se nos apresenta como ideal, não lhe devemos permanecer preguiçosamente súbditos, negando-a, afastando-a, nem que seja para voltarmos mais fortes com mais certezas, maiores e certamente melhores!! Opção que muito dificilmente um qualquer navegador BIMbiano toma quando chega a uma solução por ele considerada aceitável, processo que inteiramente compreendo pois ao tempo e quantidade de trabalho investido não podem ou devem ser simplesmente anulados, enquanto que uma velha folha de esquiço suja com um pedaço de carvão pode ser substituída fácil e rapidamente por outra igualmente artesanal.

Conhecendo pessoal e perfeitamente o funcionamento BIM, não sabendo se melhor ou pior que o meu caro, uma vez que nenhum dos nossos nomes consta nas listas da area de certificação na comunidade da Graphisoft. com, tenho a perfeita noção do período temporal necessário à aprendizagem do BIM e se a insinuação é o seu uso impreciso, pouco rigoroso, cai a ultima e possivelmente única restea de vantagem que conseguia perceber, elevando assim o esquiço a uma arma de elites que com o mesmo nível de rigor se apresenta de execução muito mais rápida.

Permita-me discordar do poder de corrupção do esquiço pois duvido que exista alguém por este mundo fora que prefira um desenho feito manualmente em poucos segundos, muitas vezes acompanhado de uma explicação oral, a uma imagem gerada por computador com materiais optimizados, ponto de vista que mais favorece e o ouro sobre azul que é o belo dia de sol á hora a que mais convém. Eu pelo menos, e perdoêm-me os que me lêem, não tenho duvidas de qual, claramente, mais me seduz.

“ ABSTRAÇÃO - é o processo mental em que as ideias estão distanciadas dos objectos, operação intelectual onde existe o método que isola os generalismos teóricos dos problemas concretos.” in WIKIPÉDIA

Se os desenhos rigorosos possuem um elevado grau de abstracção, não consigo perceber como se conseguem erigir edificações que se mantêm no decorrer do tempo, à parte do grande Antoni Gaudí, desconheço quem torna as ideias em matéria construída sem o recurso a desenhos técnicos, à escala e cotados portanto sem grande margem para a abstracção. Quanto ao valor arquitectónico a que se refere não o compreendo bem, mas parece-me que é tão nulo como o do render esquiço ou qualquer tipo de representação pois esse valor só será aplicável a elementos construídos, mas sem estes que são os mais rigorosos desenhos que qualquer arquitecto produz decerto que não conseguirá ninguém quantificar o potencial arquitectónico intrínseco a qualquer uma ideia.

Por melhores armas e maior destreza que se possua, a confrontação em território inimigo, será sempre mais difícil de vencer,.. se é que se espera um vencedor. Com todo o respeito que ainda me merece, visite e aprenda, notando que por melhores renders apresentados, as plantas estão sempre presentes como o único elemento gráfico onde realmente percebemos a organização, o espaço, as distancias, as medidas – a ARQUITECTURA. http://tamizo.pl/EN/index.html

Para que não me bana do seu espaço, juntando-me a Rafael Fernandes na lista negra colada atrás da porta deste didático [?!] blog, despeço-me, para sempre e até sempre,.. com amizade..

“... o nevoeiro levanta, agora já começo a ver...”

Saudações cordiais

regards::.

Patricia disse...

Mr Di,
vejo que você fez o dever de casa direitinho!!! ;) Sei que você não vai mais responder nada, mas não pude me abster de comentar seus posts. Eu não disse que o esquiço seja algo dispensável... acho que o processo criativo de cada um, assim como as canetas que usa, é sim uma questão de opinião e gosto. Eu gosto muito da minha lapiseira Grafo.. e gostava muito das minhas canetas nankin da Rotring quando as usava... Também não sou fruto da UCP... aliás na minha faculdade não tínhamos acesso a computadores e nem podíamos entregar trabalhos a não ser em desenhos à mão. Agora... os tempos são outros e eu não consigo achar que hoje em dia sejam formados piores arquitectos só porque eles usam outros recursos para mostrar suas idéias. O que a prática profissional me comprova é que é impossível se trabalhar à mão. É impossível ser competitivo trabalhando à mão e por isso não podemos nos dar ao luxo de sermos românticos nesse aspecto. Não conheço ninguém que entregue um projecto de licenciamento em qualquer câmara à carvão! Gostaria que me apresentassem um arquitecto que faz um projecto de execução à nankin! O que me parece é que você está falando sobre uma fase de concepção de idéias e do aspecto meramente formal da arquitectura. Eu me preocupo também com a exequidade da arquitectura. Para mim arquitectura não é um concurso para ver quem faz o desenho mais bonito, o desenho é o de menos nessa história toda porque o desenho é só a representação da idéia no papel. E sim, uma planta é uma abstração e por isso mesmo nos utilizamos de simbologias. Acho que é porque para nós (?) arquitectos é tão habitual saber ler uma planta que a gente acha que é natural para todo mundo. E pasme, Mr Di, não é! Há muita gente que olha para o desenho de uma planta baixa e não entende o que é aquilo. Enfim... nesse aspecto “desenhístico” o BIM tem me facilitado muito e tem me libertado tempo para entender como as coisas funcionam. Aliás o BIM não me dá outra hipótese: eu tenho que escolher as coisas, tenho que saber do quê é feito e como é feito meu edifício. E descordo veementemente quando você diz que um BIMiano não faria modificações no seu projecto depois de encontrar uma melhor solução. Desculpe a pergunta, sobretudo pois não haverá resposta... mas tem certeza que você conhece o BIM??? Você já teve que fazer alguma modificação em algum modelo BIM e em questão de minutos teve uma nova colecção impressa com essa modificação em todos os desenhos e mapas de medições onde haveria implicações? Além disso, outra evidência do seu desconhecimento é que o BIM não é "privilégio" da Graphisoft. Se o Mr Di estivesse tão inteirado do universo BIM, saberia que é um conceito (ok, batizado pela Graphisoft!) adotado por outros softwares além do Archicad.

Miguel Krippahl disse...

Caro Mr Di

Muitas das questões que coloca já foram respondidas.

Quanto ás outras:

"ainda não encontrei a descrição processual da utilização BIMiana na concepção arquitectónica,"
O BIM é uma área recente, que está em franca expansão. A própria definição é vaga, abrangente, e diferente conforme as profissões a ele ligadas. É provável que, nos próximos anos, esta situação se antenha, fruto de estarmos numa área em plena expansão.

"Descrição essa que a bem de uma quase completa classe que se encontra em situação de cegueira parcial deveria ser disponibilizada publicamente, colaborando como ser humano, para o atraso de uma previsível extinção profissional."
É uma das razões de existência deste blog, e das minhas respostas aos comentários. Fico feliz por saber que alguém os considera necessários.

"...durante o processo de concepção, mesmo após encontrar a solução que se nos apresenta como ideal, não lhe devemos permanecer preguiçosamente súbditos, negando-a, afastando-a, nem que seja para voltarmos mais fortes com mais certezas, maiores e certamente melhores!! Opção que muito dificilmente um qualquer navegador BIMbiano toma quando chega a uma solução por ele considerada aceitável, processo que inteiramente compreendo pois ao tempo e quantidade de trabalho investido não podem ou devem ser simplesmente anulados, enquanto que uma velha folha de esquiço suja com um pedaço de carvão pode ser substituída fácil e rapidamente por outra igualmente artesanal."
A Patrícia já respondeu, mas cá vai a clarifição:
Pelo facto de toda a documentação derivar automáticamente do modelo BIM, temos que qualquer alteração ao modelo resulta numa actualização de todas as peças - plantas,cortes, alçados, perspectivas, pormenores,mapas de vãos, mapas de acabamentos e até mapas de medições e orçamentos.
Assim, não existe nenhum instante no processo de concepção arquitectónica em que o arquitecto BIMbo ponha de lado a concepção e passe à execução das ditas peças, ao contrário do arquitecto a lápis.
Por isso, alterações, grandes ou pequenas, a qualquer altura do processo, são muitíssimo mais prováveis de acontecer num ambiente virtual do que num ambiente analógico.
Uma das consequências deste facto é que o arquitecto digital acaba por ser mais honesto consigo próprio. Quando detecta uma falha no projecto, a qualquer altura (pode ser no dia da entrega), avança para as alterações, sem receios de não ser capaz de cumprir os prazos.

"...a insinuação é o seu uso impreciso, pouco rigoroso, cai a ultima e possivelmente única restea de vantagem que conseguia perceber..."
Não é uma insinuação.É uma afirmação. Consoante a fase de projecto em que nos encontramos e os objectivos que estabelecemos, o uso da ferramenta informática é mais ou menos rigoroso.
A título de exemplo, posso referir os estudos volumétricos, nas fases primeiras da concepção, em que se usam volumes genéricos que correspondem aos compartimentos (organigramas),mas, por serem tridimensionais,permitem verificar outras premissas para além do mero funcionamento, como sejam a integração no terreno e envolvente, a volumetria, etc.

"Permita-me discordar do poder de corrupção do esquiço pois duvido que exista alguém por este mundo fora que prefira um desenho feito manualmente em poucos segundos, muitas vezes acompanhado de uma explicação oral, a uma imagem gerada por computador com materiais optimizados"
Quanto à corrupção, entenda-se aqui o sentido que o MrDi lhe tinha atribuido: A imagem por nós gerada engana-nos, levando a tomar decisões erradas.
Quantos ás preferências pessoais,penso que pouco terão a haver com o assunto: a escolha das ferramentas de projecto não será concerteza influenciada pelas preferências estéticas da maioria.Ou será?
Quanto ao preconceito da imagem de computador: Não passa de um preconceito. A latitude de expressão destas imagens é a mesma,ou porventura superior, ás feitas à mão. Tanto podem ser hiper realistas como abstractas.

Quanto ao grau de abstracção dos desenhos técnicos, refiro-me óbviamente à característica destes de divergirem da representação realista em favor da informação técnica mais abstracta, como sejam as cotas e as características constructivas.
Nesse enquadramento, repito que não existe nenhum valor arquitectónico nos desenhos, mas sim nas ideias que eles representam. Esta afirmação serve para demonstar que os desenhos técnicos, as suas bem amadas plantas, não possuem, intrínsecamente, nenhum valor arquitectónico acrescentado sobre os malfadados renderings. Ambos são representações de uma ideia.

Gostaria igualmente de fazer uma distinção que se impõe: Quando falamos de desenhos, neste contexto, não devemos misturar os que servem de suporte ao processo criativo (por exemplo os esquiços), com os desenhos técnicos finais que pretendem comunicar a ideia arquitectónica aos executantes, lineciantes, e outros.

Quanto a estes últimos desenhos,os técnicos,já ninguém questiona que as ferramentas digitais vieram introduzir significativas melhorias, sendo a rapidez e o rigor as duas mais apontadas.
O BIM veio acrescentar uma terceira, que é a automatização destas peças. Todos os desenhos técnicos são gerados automáticamente do modelo virtual, pelo que se eliminam os erros e incompatibilidade entre peças. Quem trabalha no mercado da construção conhece bem estes erros, sendo o exemplo mais frequente o poço de elevador e a caixa de escada que mudam de localização de piso para piso. Mas podia falar também da incompatibilidade entre a arquitectura e as várias especialidades (pilar na janela) entre especialidades (conduta de ar na viga), e muitas outras situações que resultam da pobre coordenação que o método de fabrico de projectos clássico possui.

No entanto, neste meu post "a treta do lápis como extensão do cérebro", o desenho a que me refiro é o primeiro, o tal auxiliar da concepção arquitectónica, o romântico esquiço no guardanapo de papel riscado genialmente numa conversa de amigos no café.

Esta noção, meu caro Mr Di, de que a concepção arquitectónica passa inevitávelmente pelo virtuosismo grafítico do arquitecto artista, e que os computadores limitam a liberdade criativa, é que é uma treta.

Infelizmente é uma treta fortemente enraizada na nossa profissão, que tem como consequência que se continua a ensinar metodologias projectuais como se fazia há cem anos. E ninguém se atreve a exclamar "o Rei vai nú!".

Miguel Krippahl disse...

Patrícia
Só uma pequena correcção:

A Graphisoft (fabricante do ArchiCAD) foi um dos inventores do BIM, há mais de 20 anos.

A Autodesk (fabricante do Autocad), participante tardia neste jogo, ao adquirir o Revit em 2002, inventou o termo BIM, Buildig Informaton Model, numa manobra estratégica comercial deveras admirável.

Tomou assim como sua uma ideia antiga,sem contribuir um dólar para essa ideia (lembre-se que o grosso do dinheiro que a Autodesk tem feito, nas últimas décadas, vem de um software CAD bidimensional, a chamada prancheta electrónica).

Adriano Sales disse...

Enfim, um coro maior, pois a anos venho observando isto aqui no Brasil, e ouvindo besteiras como"Para se projetar tem que saber desenhar".. e etc.. Parabéns pelo tópico, vou participar mais vêzes, e já antecipando minha curiosidade, de como foi inserida a informática aplicada a arquitetura, nas faculdades de arquitetura em Portugal?
Abraço

Miguel Krippahl disse...

Bem vindo Adriano

A informática foi inserida nos cursos de arquitectura portugueses como um apêndice indesejado.
:)

brAU disse...

Caro professor miguel, leio com frequencia seu blog, muito bom por sinal, me ajuda muito! estou com uma dúvida no archi12 e gerei uma imagem que gostaria de enviar caso não atrapalhe! desde já agradecido, Bráulio Cardinal Duarte Campaña: bra_campana@hotmail.com

Miguel Krippahl disse...

Força envie, para o meial que está na minha página. Procure no Google:)